top of page
Buscar

nota de edição y tradução | pequeña antologia trans brasileira





[nota des editories - en portuñol]


esse pequeño editorial (elle/elu) é uma tentativa de duas pessoas trans brasileiras de criar pontes entre as escrituras trans de cá-y-allá, através da edición de libros bilingües. para esta pequeña colheita de poemas, invitamos personas escrevedoras que lemos y acompanhamos onlaine-y-presencialmente. aquí poderiam caber muchos otres, pois ao contrario do que

parece ao nos depararmos com as estantes de livrarias y bibliotecas, com os catálagos das grandes editoras, existem muites muitos muitas mais escritas trans neste territorio nomeado brasil. nesta pequeña mostra, reunem-se poetas de são paulo, brasília e belo horizonte, lugares onde transitamos nós – flecha y ravel – nos últimos tempos em que estivemos no brasil. as escolhas que fizeram o libro ser como se presenta fueron hechas pensando na diversidad de escrituras que aquí estão presentes, de chamamentos à atitudes oralescritoras nossas, à deparações de nossos corpos com o sistema médico cristão capitalista binário, com textos que, mais íntimos, contaminam nosso lugar de mortevida (como diría ian habib em “corpos transformacionais”), gerando, em vez de sufocamento: espacio.


espaço para concebermos nossas vidas cambiantes em uma sociedade que nos abjeta. também há aquí amor, amor, tesão, gozo secando no rosto, filtros de barro (fazem falta na colômbia, que tras un cheiro de café que recorda) e marca de existências al borde da fábrica de normalidades fronteirizadas y categorías estáticas branco-coloniais. há aquí ritmo e

também aquele rio, que pasa por bajo de nuestras avenidas, que corre en nuestros cuerpos, que, aun que sufocado, nos ensina a caminar y mirar las estrellas, mesmo que tenhamos casi o ya nuestros treinta y pico. a palabra trans consta como evidencia, como ese bicho fóssil vivo

descansando em alguna para-gem que marca nuestra caratula. e que se desloca com o cuidado do bicho da contracapa. evidencia que, a pesar de los estudios que nos llegan en brasil acerca de género en Abya Yala apagarem esa palabra, ela existe. tanto ahí, como aquí, nós existimos na borda mais vulnerável da sigla. a demarcação da transgeneridade em sua vastidão que comporta corpes múltiples é uma demarcação política que deseja alargar imaginários e poétikas possíveis.


un especial saludo a la gente paisa de medellín que nos acolheu con tanta dulzura y nos enseñó a decir, entre tragos de ron con maracuyá, reuniones, bandeja paisa vegana y maicitos de limón:



*





[apuntamientos acerca de la traducción, por ravel machado]


essa tradução foi feita às pressas, como urgía a necessidade de andarmos acompanhades e circulando essus autories em nossa viagem por abya yala. para cada poesía, foi pensado um pequeño projeto tradutorial, de acordó com o que a poética de cada pessoa presente parecesse nos pedir nesse proceso de contrabando palavreal que fizemos. ao entregar palabras a pessoas que entendem o castelhano como uma certa matriz, mas falam e produzem, cada ume em seu territorio, otras línguas, otras formas de falar, otras expressões, precisamos fazer escolhas. algumas foram feitas levando em consideração o territorio em que estivemos, otras foram pescadas da memoria de palabras de otros países, o que significa que o libro funcionará um pouco como entrega um pouco como enigma nas mãos que circulará.

nas traduções, sempre algo se perde, algo se gana, mas, sempre que possível, optamos pelo empréstimo. emprestamos metáforas e expressões orais que não existem propiamente no territorio latinoamericano hispanohablante, mas que tem uma força expresiva tão concreta que apostamos na capacidade de pasar ao outro lado mantendo a força que tais arranjos de palabras alcança.


é triste perder um “ó” mineiro, mas é curioso constatar sua relação com o “ve” hispanohablante. é curioso tentar criar algum rasgo no usted que o deixe menos limpinho para que chegue mais perto de um você, um cê, um ocê e não temos certeza se isso funcionará por onde o libro circule, mas nos pareceu mais interesante que simplesmente colocar um tú. traduzir o grelo também é tarefa brava, mas com a ajuda de um transmasculino amigo nosso chegamos no timbre. seguimos com a aposta em não traduzir

a palabra sapatão, por tudo o que significa no contexto brasileiro e também não traduzimos os orixás – o que ainda não temos certeza se fazemos certo, pois a pronuncia muda muito ante a un “sh” e um “x” e muitas veces isso muda a rapidez na intelegibilidade, como estamos vendo nas oficinas que estamos fazendo. será adorável rever esas traduções num

futuro, assim como é encantador saber que conseguimos trabalhar rápido e

em condições curiosas, fazendo com que ese libro já esteja em circulaçao.

 
 
 

Commentaires


bottom of page